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E mais uma vez, ele senta em sua máquina de escrever, levando sua xícara em direção a boca entreaberta. O café já estava quase morno. Há muito vento lá fora, que entrava pelas frestas de sua janela. Ele não pensava o porque e nem o queria, simplesmente escrevia. Acende um cigarro. Falta um cinzeiro, mas foda-se, o café já terminou mesmo.
Escrevia sobre tudo um pouco e era bem pessoal em suas histórias. Tinha alguma influência de Bukowski. Morava sozinho havia 5 anos, e quase nunca recebia visitas. Não que ele se preocupasse com isso, realmente, pois conheceu poucas pessoas que valeram à pena. "A maioria das pessoas falam demais", disse outro dia. Talvez por isso ele escrevia tanto, para não ser igual a elas. O tempo passa rápido e tenho que acordar cedo, pensa. Mas ele aceita as consequências numa boa.
Na verdade, está cansado desta vida. Ele escreve sobre morar numa casa longe de tudo, e através disso consegue morar lá por alguns segundos. Ou minutos, dependendo do tamanho do parágrafo. As pessoas que escrevem sobre isso nunca levarão esta vida de fato... preferem escrever sobre. "Que merda... Não consigo escrever". Amassa as duas folhas e joga no lixo. Não estava conseguindo visualizar a casa que estava descrevendo, então começa a desenhar. Seus traços são rápidos e fortes, com grande chance de um psicólogo o achar louco. Percebe que não sabe desenhar, e ultimamente não tem gostado do seu estilo de escrita. Ele quer ser bom em tudo, é esse o problema, e acaba sendo mediano em tudo. Especialização é para os fracos. Vou ler a primeira folha.
Conteúdo da página 1:
E mais uma vez, eu sento em minha máquina de escrever, levando a xícara em direção a boca entreaberta. O café já está quase morno. Faz muito vento lá fora, que entra pelas frestas de minha janela. Não penso o porque e nem quero, simplesmente escrevo. Acendo um cigarro. Falta um cinzeiro, mas foda-se, o café já terminou mesmo.
Eu costumava escrever sobre tudo um pouco e era bem pessoal em minhas histórias. Tinha alguma influência de Bukowski. Moro sozinho havia 5 anos, e quase nunca recebi visitas. Não que me preocupasse com isso, realmente, pois conheci poucas pessoas que valeram à pena. "A maioria das pessoas falam demais", disse outro dia. Talvez por isso escrevo tanto, para não ser igual a elas. O tempo passa rápido e tenho que acordar cedo. Mas aceito as consequências numa boa.
Na verdade, estou cansado desta vida. Escrevo sobre morar numa casa longe de tudo, e através disso consigo morar lá por alguns segundos. Ou minutos, dependendo do tamanho do parágrafo. As pessoas que escrevem sobre isso nunca levarão esta vida de fato... preferem escrever sobre. Que merda... Não consigo escrever. Amassei as duas folhas e joguei no lixo. Vou ler a primeira folha.
Ótimo oroboro! :)
ResponderExcluirBeijo beijo
Erica.